5 Razões para aproximar o ensino básico e superior dos Role Playing Games

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São os jogos que nos dão algo para nos ocuparmos quando não há nada a ser feito. Por isso, costumamos chamá-los de “passatempos” e os consideramos um frívolo tapa-buracos em nossas vidas. Mas eles são muito mais do que isso. São sinais do futuro. E cultivá-los com seriedade agora será, talvez, nossa única salvação (Bernard Suits, filósofo).

Este é o prefácio do livro “A realidade em jogo, por que os games nos tornam melhores e como eles podem mudar o mundo”, de Jane McGonigal, que conheci em uma palestra no site TED. Após conhecer este livro iniciei minha aventura pelo mundo dos Role Playing Games (RPG) na educação.
RPG são jogos em que as pessoas são convidadas a entrar em uma história, assumir um personagem e trabalhar juntas para realizar uma missão. A pessoa responsável por guiar os participantes ao longo desta jornada é chamada de mestre.

Este texto é um convite a enxergar os jogos sob uma nova perspectiva, rumo ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais e ações de impacto positivo na sociedade. Uma jornada onde o mundo é o tabuleiro, os estudantes são os jogadores e os professores são os mestres deste grande desafio.

1 Os jogos são compostos por quatro elementos fundamentais que apoiam e melhoram o engajamento em uma atividade

A meta é o resultado específico que os jogadores vão trabalhar para conseguir. Ela foca a atenção e orienta continuamente a participação deles ao longo do jogo. A meta propicia um senso de objetivo.

As regras impõem limitações em como os jogadores podem atingir a meta. Removendo ou limitando as maneiras óbvias, as regras estimulam os jogadores a explorarem possibilidades anteriormente desconhecidas para atingirem o objetivo final. Elas liberam a criatividade e estimulam o pensamento estratégico.

O sistema de feedback diz aos jogadores o quão perto eles estão de atingir a meta. O sistema pode assumir a forma de pontos, níveis, placar ou barra de progresso. Ou, em sua forma mais básica, pode ser tão simples quanto tomar conhecimento de um resultado objetivo: “O jogo estará concluído quando…”. O feedback em tempo real serve como uma promessa para os jogadores de que a meta é definitivamente alcançável, além de fornecer motivação para continuar jogando.

Finalmente, a participação voluntária exige que cada um dos jogadores aceite, consciente e voluntariamente, a meta, as regras e o feedback. Isso estabelece uma base comum para múltiplas pessoas jogarem ao mesmo tempo. A liberdade para entrar ou sair de um jogo por vontade própria assegura que um trabalho intencionalmente estressante e desafiador é vivenciado como uma atividade segura e prazerosa.

2 Os jogos permitem uma estrutura de aprendizado baseado em projetos

O aprendizado baseado em projetos é um modelo onde estudantes ganham conhecimento e desenvolvem habilidades em um longo período de investigação, respondendo a questões complexas, problemas e desafios. Há dois centros fundamentais para este modelo: 1) Desenvolvimento de habilidades para o século XXI e 2) trabalho focado em um conteúdo relevante.

Nesta estrutura o professor assume um papel de mediador, responsável por despertar os jovens para novos conhecimentos e torná-los responsáveis pela busca de seus caminhos. Sempre que necessário o professor está ali para tirar dúvidas e ajudar, mas o jovem é o protagonista de sua história e tomador de decisões de como e para onde seguir, respeitando as regras do jogo. Uma jornada onde a prática e teoria caminham juntas.

3 Os jogos ativam emocionalmente as pessoas e as mantém em estado de fluxo

Jane McGonigal fala em seu livro sobre um estado que criadores de jogos e psicólogos chamam de “fluxo”:

Em um bom jogo de computador ou videogame estamos sempre no limite de nosso nível de habilidade, sempre à beira do fracasso. Quando efetivamente perdemos, sentimos a urgente necessidade de voltar ao jogo. Isso porque não há nada mais virtualmente envolvente do que esse estado de trabalhar no exato limite da habilidade. Quando estamos em um estado de fluxo, o desejo é permanecer ali: desistir e ganhar são resultados igualmente insatisfatórios.

Os jogos são capazes de gerar sentimentos genuínos durante todo o processo, transcendendo o paradigma de que se trata apenas de um momento de descontração. Eles têm o poder de trazer o indivíduo para o momento presente e guiar seu caminho, com experiências programadas para ativar determinadas sensações durante sua vivência.

4 Os jogos permitem uma participação integral e reforçam bons hábitos

Está cada vez mais difícil manter a atenção de um jovem e competir com as inúmeras formas de comunicação que existem hoje. Qualquer celular pode, facilmente, fazer com que a atenção ao professor seja trocada pelo Facebook, Instagram, outra rede social ou um site qualquer na internet. Então, por que não usar a tecnologia a favor da educação e integrar os jovens por meio dela, enquanto estudam e se desenvolvem?

Os jogos engajam os jovens em uma boa história e criam um ambiente propício à pratica de novos e bons hábitos, respeitando o princípio da participação voluntária. Estes hábitos promovem crescimento pessoal e desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos jovens. A tecnologia potencializa o uso dos jogos, usando a internet como ferramenta para aprendizado e desenvolvimento e convidando o jovem a usar mecanismos do mundo virtual para interagir no mundo real.

5 Os jogos permitem vivenciar experiências do mundo real em um ambiente escolar

No relatório da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, para a UNESCO, e editado sob a forma do livro “Educação: Um tesouro a descobrir”, de 1999, há uma discussão sobre quatro pilares fundamentais para a educação: aprender a conhecer (adquirir instrumentos de compreensão), aprender a fazer (para poder agir sobre o meio envolvente), aprender a viver juntos (cooperação com os outros em todas as atividades humana), e finalmente aprender a ser (conceito principal que integra todos os anteriores).

A escola hoje, por toda sua construção história advinda da revolução industrial, exerce exímio domínio sobre o aprender a conhecer e, em menor escala, sobre o aprender a fazer. Neste contexto, existe uma grande oportunidade em explorar de inúmeras formas o aprender a viver juntos e o aprender a ser.

Os RPG são um ótimo convite aos jovens para viverem experiências reais, totalmente atreladas ao meio em que estão inseridas, nacional e internacionalmente. Já pensou em ter jovens de todo o Brasil jogando por uma redução nas emissões de poluentes na atmosfera? Criando projetos para serem apresentados ao governo e empresas? Fazendo mobilizações conjuntas por todos os estados? E ainda desenvolvendo-se em habilidades socioemocionais e estudando conceitos fundamentais da escola e faculdade? Sim, os RPG têm o poder de fazer isso.

O ser humano está sempre em busca de fazer parte de algo maior, se juntar em uma sociedade/comunidade. Basta lembrar dos alunos durante a aula, vidrados no Facebook e demais mídias sociais. Em meio a este cenário, os RPG são uma ótima forma de canalizar em ações reais toda a energia potencial que os jovens têm. Assim, os jogos passam de simples passatempos rotineiros a ferramentas capazes de agir diretamente no desenvolvimento da sociedade, preparando nossos futuros líderes para enfrentarem os desafios do século XXI.

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